sexta-feira, 29 de abril de 2011

Cartas a um jovem terapeuta - Resenha


              No livro “Cartas a um jovem terapeuta”, Contardo Calligaris aborda temas, dilemas e ansiedades sobre a prática do psicoterapeuta. O autor se baseia na sua experiência de vida e na sua experiência como terapeuta. Calligaris dialoga com o leitor de uma forma  franca, sem máscaras. O livro contém 155 páginas, divididas em 11 capítulos, onde o autor apresenta respostas às cartas de dois jovens terapeutas, dando-lhes uma noção e lição do que é necessário para ser um bom psicoterapeuta. Calligaris inicia as cartas falando de alguns traços que ele espera no caráter de uma pessoa para se tornar um bom profissional.
            O autor afirma que o psicólogo não deve esperar gratidão dos pacientes, pois provavelmente o psicoterapeuta vai ser esquecido. Compara o terapeuta a um remédio que deixa de ser usado. De acordo com Calligaris  “nenhuma psicoterapia, seja ela qual for, deveria almejar a dependência do paciente.” (CALLIGARIS, p. 7).  De fato  quando a psicoterapia faz seu efeito o paciente tem que deixar de idealizar o terapeuta.  Reafirma nas cartas que se a pessoa que almeja ser admirado e necessita de gratidão, deve esquecer a psicologia e talvez tentar fazer medicina.
            Segundo o autor, uma pessoa para ser um bom terapeuta, tem que possuir uma simpatia, uma atração por todo tipo de gente, ainda sugere que se tenha gosto pela palavra e pela escuta. O psicoterapeuta deve ter curiosidade e respeito pela variedade da experiência humana, deixando preconceitos e crenças de lado. E se caso o terapeuta não conseguir escutar um paciente, sem julgamentos, encaminhe-o a outro terapeuta, aconselha Calligaris. O bom profissional deve evitar ser um moralista, respeitando a singularidade de cada vida. Ainda afirma que se “você não é um modelo de normalidade, esqueça essa preocupação.” (GALLIGARIS, p.15) O último traço que o autor gostaria de encontrar em um jovem aspirante pela profissão terapeuta é uma boa dose de sofrimento psíquico, observa que para entendermos um paciente, primeiro teremos que nos entender, através de tratamento psicoterápico.
            Aborda no livro temas polêmicos de uma forma bem clara, questões como paixões entre paciente e terapeuta, o que fazer para ter mais pacientes, preconceitos, confiança, duração da sessão, pagamentos, formação, SETTING.
             Sobre o SETTING, a sugestão do autor é que a decisão dependa de situações de conforto para o terapeuta e paciente, independente se o paciente está sentado ou deitado, o que importa em uma terapia são as palavras trocadas e as relações que elas organizam. A questão da duração das sessões e o pagamento para Calligaris é relativa, De acordo com a necessidade de cada situação a duração da sessão varia, estas dependem da necessidade do paciente e da capacidade de ouvir do terapeuta.
            O livro “cartas a um jovem terapeuta” deveria ser lido por todos que desejam ingressar em uma formação de psicologia, e para profissionais de outras áreas que decidem ir pelos caminhos da psicanálise. Nos mostra de uma forma objetiva, sem prepotências e arrogância, as dificuldades, problemas, satisfações obtidas acerca da escolha de ser psicoterapeuta.
            Um livro de fácil leitura e entendimento, nos respondendo questões básicas que nenhum livro teórico de psicologia nos responde. Calligaris nos inquieta, gera uma certa ansiedade e incertezas por tudo que ainda iremos nos deparar na nossa vida profissional, e , ao mesmo tempo acalma por responder com sensibilidade a tantos questionamentos que martelam a nossa cabeça durante todo nosso universo universitário. 
            Indicado para todos estudantes e profissionais que desejam entender um pouco assuntos sobre psicoterapia. Um livro de “cabeceira” para quem deseja seguir esta profissão. A leitura desse livro é indispensável para estudantes e aspirantes de Psicologia. O percurso é também uma oportunidade para refletir sobre nossos jeitos de ser e viver.

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